CEO da Ferrari confessa: 'botões touch só existem porque são mais baratos'
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Ferrari 6 minmar. de 2026

CEO da Ferrari confessa: 'botões touch só existem porque são mais baratos'

O CEO da Ferrari confessou que controles touch são 50% mais baratos de fabricar. Agora, com o Luce elétrico, a marca promete voltar aos botões físicos. Mas o interior revelado está longe de convencer.

Durante mais de uma década, a indústria automotiva nos empurrou telas sensíveis ao toque e botões capacitivos como se fossem o futuro. O argumento era sempre o mesmo: visual mais limpo, modernidade, fotos bonitas para o material de imprensa. Na prática, qualquer pessoa que já tentou ajustar o ar-condicionado a 120 km/h sabe que é uma experiência miserável.

Agora, Benedetto Vigna, CEO da Ferrari, resolveu dizer o óbvio em entrevista à Autocar India: "O botão touch é feito para a vantagem do fornecedor. Fabricar um botão touch é mais barato — 50% mais barato." Ou seja, não era sobre inovação, não era sobre experiência do usuário. Era sobre cortar custos. Em carros que custam centenas de milhares de dólares.

O Luce: a Ferrari que ninguém pediu

A declaração de Vigna veio no contexto do Ferrari Luce, o primeiro carro 100% elétrico da marca de Maranello, previsto para o final de 2026. A Ferrari promete que o Luce trará de volta botões físicos, dials e toggles — especialmente para funções do volante e controles de climatização. Vigna batizou essa abordagem de "phygital", uma mistura de físico com digital.

Soa bonito no papel. Mas vamos ser diretos: nós não gostamos do Ferrari Luce. Não gostamos da ideia de uma Ferrari elétrica. O que faz uma Ferrari ser uma Ferrari é o motor. É o ronco do V8 biturbo, é a brutalidade do V12 aspirado. Tirar isso e colocar baterias é como fazer uma pizza sem massa — pode até ter os ingredientes, mas não é pizza.

O interior: um desastre anunciado

E se o conceito já não nos convencia, o interior revelado foi a pá de cal. É catastrófico. O layout parece saído de um carro-conceito genérico de salão de automóveis, não de uma Ferrari. O volante com tela integrada, o console central minimalista ao extremo, a disposição dos controles — tudo parece desconectado da tradição que fez a marca ser o que é.

A ironia suprema? O Luce foi desenvolvido com a consultoria da LoveFrom, liderada por Jony Ive — o mesmo designer que criou o iPhone, um produto que ficou famoso justamente por eliminar botões físicos. Agora ele está ajudando a Ferrari a trazê-los de volta. A contradição é quase poética.

O mercado está acordando — tarde demais?

A Ferrari não está sozinha nessa correção de rota. A Rolls-Royce, para seu crédito, nunca abandonou completamente os controles físicos. Hyundai e Volkswagen já anunciaram publicamente que estão trazendo botões de volta em seus novos modelos. Até a Porsche, com o novo Macan elétrico, manteve controles táteis em funções essenciais.

O problema é que essa "revelação" chega tarde. Milhões de motoristas já sofreram com interfaces touch mal projetadas, menus confusos e botões fantasma que não respondem. A indústria gastou anos nos convencendo de que era progresso, quando na verdade era apenas economia de escala disfarçada de inovação.

Vamos ser claros: reconhecemos que a Ferrari está certa em admitir o erro dos botões touch. Mas isso não salva o Luce. Uma Ferrari elétrica com um interior que parece ter sido desenhado por um comitê de engenheiros de software não é o que o mundo precisa. O que precisamos é que Maranello continue fazendo o que sempre fez de melhor: carros com alma, com barulho, com personalidade. O Luce, por enquanto, não tem nenhuma dessas coisas.

Fonte: Carscoops / Autocar India

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