A Audi reescreve sua estratégia: abandona o plano 100% elétrico até 2033, mantém o V8 no RS6 e prepara o retorno do R8 como híbrido plug-in de mais de 900 cv — usando a mesma base técnica do Lamborghini Temerário.
A Audi está de volta ao jogo com uma estratégia que vai agradar tanto os puristas quanto quem acompanha a evolução da indústria. Em dois movimentos que se complementam, a marca de Ingolstadt confirmou o retorno do lendário R8 para 2027 — agora como híbrido plug-in de mais de 920 cv — e anunciou que o RS6 chegará em 2026 em duas versões: uma PHEV com V8 biturbo e outra totalmente elétrica.
O pano de fundo é uma mudança de rota significativa: o CEO Gernot Döllner confirmou que a Audi não seguirá mais com a meta de ser 100% elétrica até 2033. A adoção de veículos elétricos pelo mercado caminhou mais devagar do que o esperado, e a resposta da marca foi pragmática — manter o V8 vivo por pelo menos mais sete a dez anos, investindo em paralelo na eletrificação.
O R8 que o mundo esperava
O retorno do R8 é o capítulo mais emocionante dessa história. A nova geração aproveitará a plataforma técnica do Lamborghini Temerário — o que já diz muito sobre o nível de ambição do projeto. A combinação do V8 4.0 biturbo com três motores elétricos deve entregar cerca de 920 cv, com torque instantâneo e modos elétricos para uso urbano. Coupé e Spyder seguem no cardápio, preservando a identidade visual que tornou o R8 um ícone.
O desafio de engenharia é real: integrar baterias e motores elétricos sem comprometer o peso, a distribuição de massa e a sensação de direção que definem o R8. Mas com a base técnica do Temerário já validada, a Audi tem um ponto de partida sólido.
RS6 2026: V8 de 730 cv ou elétrico — você escolhe
Enquanto o R8 ainda é futuro, o RS6 é presente. A próxima geração chega em 2026 em duas frentes: o híbrido plug-in com o tradicional V8 biturbo 4.0 litros acoplado a um motor elétrico, somando aproximadamente 730 cv; e o RS6 E-tron, construído sobre a plataforma PPE, com desempenho equivalente em uma proposta totalmente elétrica. Ambos os formatos — sedã e Avant — estarão disponíveis.
A decisão de manter o V8 não é nostalgia: é uma resposta direta ao que os clientes ainda querem. Regulações de emissões são cumpridas via PHEV, enquanto o som e a sensação mecânica do motor a combustão permanecem intactos para quem não está pronto para abrir mão disso.
O que isso significa para o mercado
A Audi se posiciona ao lado de BMW M e Mercedes-AMG, que também equilibram ofertas elétricas e híbridas sem abandonar os motores de combustão. Com o R8 acima de 900 cv e o RS6 em duas versões, a marca reforça que performance e eletrificação não precisam ser opostos — e que o futuro pode, sim, ter V8.